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Disputa entre sócios da Odebrecht vai ao STJ

Chegou definitivamente a Brasília a maior disputa societária em curso no país. A  briga entre sócios da controladora do grupo Odebrecht, a Odbinv, que se arrasta  desde o fim de 2010, vai ser julgada pela 4ª Turma do Superior Tribunal de  Justiça (STJ).  Boa leitura.

A ministra Maria Isabel Gallotti aceitou recurso da Kieppe,  empresa que representa a família Odebrecht, em processo contra a Graal, que  representa a família Gradin e também é sócia do grupo.

A disputa tem origem em uma decisão societária de agosto de 2010, que  implicaria o afastamento da Graal da sociedade da Odbinv e dos membros da  família Gradin do corpo executivo das empresas do grupo. Os Gradin não querem  deixar a sociedade e, além disso, consideram subavaliado o valor de US$ 1,5  bilhão que a Kieppe estaria disposta a pagar pela compra da participação.

A Odebrecht é o maior grupo construtor do Brasil, com 150 mil funcionários e  receita de R$ 71 bilhões em 2011. O pedaço em disputa é de 20,6% do grupo, fatia  que pertence à Graal na Odbinv.

Uma audiência de conciliação está marcada para 31 de julho perante o Tribunal  de Justiça da Bahia. Mas, se não houver decisão do STJ até essa data, a  audiência tende a ser prorrogada, à espera de um parecer da segunda  instância.

A audiência de conciliação e eventual definição por meio de arbitragem está  prevista em acordo de acionistas, mas a Kieppe entende que o acordo foi rompido  pelos Gradin. Já a Graal espera a resolução a partir da audiência de julho.

Em notas divulgadas ontem, tanto Kieppe quanto Graal se acusam mutuamente de  arrastar a discussão nos tribunais. Segundo a empresa da família Odebrecht, o  recurso foi enviado ao STJ para “evitar a possível apresentação de novos  recursos nas diferentes instâncias da Justiça baiana, o que pode protelar a  decisão final”.

Já a Graal declara que “a Kieppe operou sempre com vistas a frustrar a  realização da audiência em que a questão será decidida” e que procurou o STJ  exatamente para protelar mais essa decisão.

Kieppe questionou imparcialidade de juíza

Depois de mais de 15 recursos apresentados na Bahia, a Kieppe acusou a juíza  que acompanha o processo, Maria de Lourdes Oliveira de Araújo, da 10 Vara Cível  de Salvador, de ter sido parcial em suas decisões. Já a Graal alegou que as  consecutivas vitórias obtidas no TJ da Bahia deviam-se à eficácia da cláusula do  acordo de acionistas, que indicava a resolução por arbitragem.

O instrumento da arbitragem é um método extrajudicial de resolução de  conflitos, que visa a oferecer uma decisão mais rápida e técnica para assuntos  privados. Se a audiência de conciliação ocorrer em 31 de julho e não houver  acordo, deverá ser instalada uma câmara de arbitragem com especialistas  apontados pelas partes para buscar uma solução.

A participação dos Gradin no grupo Odebrecht começou em 1974, quando Victor  Gradin investiu o equivalente a 10% do capital total. Já fora do dia a dia do  grupo, os irmãos Bernardo e Miguel Gradin anunciaram em maio investimento de R$  2 bilhões na produção de etanol, com apoio do BNDES. (fonte: Oglobo – 21.06.2012)

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