Celular/WhatsApp: (21) 99615-7871

Mudança na compra de ações das companhias estrangeiras no Brasil

Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil que representam valores mobiliários de emissão de companhias abertas com sede no exterior.

É uma das formas que um cidadão residente no Brasil possui para adquirir ações de companhias estrangeiras.

Em razão do aquecimento do mercado internacional tais papeis ganham importância na carteira de investimento.

Hoje no Valor saiu uma matéria importante sobre o tema. Boa leitura:

Comprar ações da Apple, do Google ou da Microsoft sem sair da bolsa brasileira está prestes a se tornar uma opção menos acessível. Hoje a forma mais democrática de comprar os chamados BDRs, recibos de ações de companhias estrangeiras negociados no Brasil, é via fundos. Essas carteiras estão disponíveis para o investidor qualificado, ou seja, com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras. Se forem aprovados os textos das instruções 409 e 539, hoje em audiência pública, esse valor sobe para R$ 1 milhão. Os gestores de fundos de BDRs consideram a regra muito restritiva e defendem o acesso de qualquer investidor a esse tipo de carteira.

“Ter uma diversificação geográfica é natural e saudável. Você estaria indo na direção contrária”, afirma Joaquim Levy, diretor-superintendente da Bradesco Asset Management (Bram). Ele diz que vai buscar o melhor caminho, junto aos pares, para evitar despovoar essas carteiras. “O fundo de BDR amadureceu. O produto é intermediado por um gestor profissional e o risco já é bem compreendido”, completa.

O Bradesco abriu seu fundo de BDRs para captação há dois anos e meio. Outras gestoras, como Caixa, XP e Safra, criaram carteiras do tipo de um ano para cá.

A mudança nas regras iguala a aquisição via fundos, em que a seleção é feita pelo gestor, à compra direta de BDRs pelo investidor. Hoje a aquisição na bolsa é mais restrita, só pode ser feita por quem tem mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras. Perguntada pela reportagem, a CVM confirmou que, pelo texto em audiência pública, as duas opções de investimento em BDRs vão se restringir ao qualificado, com pelo menos R$ 1 milhão em investimentos.

Levy defende que, ao carregar ações de grandes empresas dos EUA, os fundos de BDRs são um produto de renda variável como qualquer outro. Em termos de risco, considera, há alternativas próximas que não estão disponíveis apenas para qualificados. Qualquer pessoa pode investir, por exemplo, em um fundo de S&P, em que o gestor compra o contrato futuro do índice de ações americano negociado na bolsa brasileira.

O fato de o contrato futuro de S&P não acarretar risco cambial, ao contrário dos BDRs, não torna o fundo de recibos mais complexo na opinião de Levy. “É mais intuitivo que, quando investe em ação americana, o investidor também esteja fazendo uma exposição em dólar”, diz.

O investidor está acostumado a lidar com o risco de moeda em fundos como o cambial, que não é destinado somente a qualificados, diz Alenir Romanello, superintendente nacional da Caixa. Para ela, o fundo de BDR não exige alto grau de especialização de quem aplica, já que a seleção dos ativos é feita por um gestor profissional. “Vemos uma oscilação bem maior em outros fundos de ações brasileiras”, afirma.

Hoje o fundo da Caixa tem 131 cotistas, que aplicam juntos R$ 12 milhões. “Já não foi fácil propagar esse fundo. Com essa regra nova, vai ficar um pouco mais árduo”, diz Alenir. A superintendente nacional da Caixa diz que pretende levantar a questão nas conversas com a CVM. A defesa é mesmo tirar os BDRs da regra de qualificados, já que a elevação do valor de R$ 300 mil para R$ 1 milhão já é tida como certa pelo mercado.

“Estamos batendo no ponto de que a nova regulamentação iguala a capacidade do gestor com a da pessoa física”, diz Bernardo Ferreira, gestor da XP. Ele defende que o administrador de carteira tem mais condições do que o investidor, por exemplo, de acessar e estudar os documentos das empresas americanas que podem ser compradas via BDRs.

Além disso, afirma, os investidores com patrimônio acima de R$ 1 milhão muitas vezes fazem investimento diretamente no exterior. “O fundo de BDRs é um produto cada vez mais difundido na nossa rede. Uma série de clientes que quer ter carteiras diversificadas vai perder esse tipo de acesso”, diz.

No ano passado, os fundos de BDRs ganharam com a recuperação da economia americana e a valorização do dólar ante o real. O do Bradesco, por exemplo, rendeu 47% em 2013. Somente de setembro, quando foi criado, a dezembro, a carteira da XP ganhou 12%. E a da Caixa ganhou 14,91% somente no segundo semestre. Este ano já não está tão pulsante, com o mercado americano em ritmo mais lento e o dólar em queda. Até o momento, nenhuma das carteiras ultrapassa 2% de retorno.

“O mais importante ao meu ver é como isso está sendo vendido para o cliente final, porque as bolsas internacionais têm sido um ótimo investimento com a recuperação das economias centrais, mas não é um mercado que subirá eternamente”, diz Armando Marracini, sócio da More Invest, gestora de patrimônio que seleciona fundos para investidores de alta renda.

A diferenciação por patrimônio é secundária para Marracini, que aponta os fundos de BDRs como uma diversificação interessante para as carteiras. A preocupação deve recair mais, defende, no sentido de diminuir o efeito surpresa sobre o retorno para o investidor.

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/financas/3579082/bdr-para-todos#ixzz34KHH2KOc

(fonte: Valor – 10.06.2014)

0 Comentários

deixe uma mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Open chat
Online agora!
Olá!
Sou o Leonardo!
Como posso ajudar?